Login | Contato| Ver Cesta (0)
Navegar: Assuntos Objeto Digital Acervos Catálogos Produtores

FOTOGRAFIA PB - SERIE OSVALDO ARANHA - BAR DO JOÃO – 1980 | Centro de Memória e Informação Pessoal Yuri Victorino

BAR DO JOÃO
BAR DO JOÃO (JPEG Image, 537.81 KB)
Download Original File

Request hi-res copy

Title:
FOTOGRAFIA PB - SERIE OSVALDO ARANHA - BAR DO JOÃO – 1980
Date:
1980
Description:

FOTOGRAFIA DA SÉRIE OSVALDO ARANHA DE YURI VICTORINO PARA A CADEIRA DE FOTOGRAFIA DA PUC 1980

BAR DO JOÃO

Um pouco da história do famoso e inesquecível Bar João, que por muitos anos deu vida à Avenida Osvaldo Aranha em Porto Alegre, reunindo várias tribos e servindo de palco para diversos shows marcantes do underground gaúcho. Fundado em 1946 por João Brum, foi somente em 1979 que o saudoso Júlio Leite comprou o bar, que ficou aberto até 2003, fechando assim um ciclo na vida dos porto-alegrenses, hoje órfãos deste importante local de convergência cultural de grande importância para o Heavy Metal.

Afinal, foi de lá que surgiram várias bandas e muitas amizades.

João Brum administrou seu bar por mais de quarenta anos. Porém, tudo começou no mais antigo e tradicional Bar do Serafim, conhecido como Bar do Fedor (que nunca fechava), e é merecedor de outra história. Ali João começou como garçom em 1937 e logo se tornou gerente. Permaneceu na função por 11 anos. Após esse período, montou seu próprio negócio com um sócio – o Bar Imperial – para desgosto de Serafim. O Imperial durou quatro anos. Terminada a sociedade, finalmente montou seu próprio comércio, – o Bar Azul – na Osvaldo Aranha, 1008.

E foi nesse endereço, num amplo sobrado, que nasceu o famoso Bar do João. O comerciante colocou umas mesas de snooker nos fundos e foi morar no andar de cima. Por lá viveu por 27 anos. Numa entrevista, João narra: “o salão do bar era muito familiar, com toalha e flores nas mesas. O movimento começava às 5h da madrugada: eram leiteiros, açougueiros, fiscais da saúde – gente que trabalhava cedo e que ia tomar café lá. Seguia aberto até a meia-noite ou até o último cliente. Tinha dias que ficava 24 horas sem fechar”.

O bar era frequentado pelos mais variados tipos – funcionários do HPS, professores, médicos, advogados, jornalistas, estudantes e também por uma clientela marginal, até mesmo por moradores de rua. Todos, de uma forma, se integravam ao espírito que marcou o Bar João, a universalidade cultural e a pluralidade social de seus frequentadores. “A freguesia era muito boa e o ambiente agradável”, resumiu João ao jornal em 2005. “Os velhos judeus ficavam horas lá, jogando pauzinho. Também se falava muito em futebol. O Carangache, um judeu “gremista doente”, era famoso também porque falava muito alto. A maioria no bar era gremista. Eu fui até sócio”.

E ao entardecer, esse público sofria uma transformação total. E do dia para a noite, com suas mesas de bilhar, atraia boêmios e toda a sorte de malandros, figuras que ficaram conhecidas pela caracterização do “magro do Bomfa”, criado e interpretado pelo humorista gaúcho André Damasceno – hoje conhecido pela imitação do ex-presidente Lula no programa global Zorra Total. Era a noite que o bar reunia uma frequência totalmente eclética, em que se misturavam, mais para a década de 80, jovens, marginais, militantes políticos, entre outros grupos. Passaram por ali e marcaram sua presença constante, políticos de todas as matizes, da esquerda a direita. Nomes como Isaac Ainhorn, que construiu sua história política como o vereador do Bom Fim, além de figuras como de vários prefeitos que comandaram nossa cidade, como Raul Pont, José Fogaça e o atual chefe do Executivo José Fortunati passaram pelas mesas do Bar João.

Também atores, músicos, aliás o Bar João foi cantado em verso e prosa em diversas composições, sendo a mais conhecida a dos irmãos Kleiton e Kledir eram freqüentemente vistos na noite do Bom Fim, exatamente no Bar João. De João Gilberto a Nei Lisboa, de Bebeto Alves aos Fagundes, não teve quem não passou pelo ambiente eclético do Bar João.

E assim, a noite caia e pela manhã o famoso café moído na hora, cujo cheiro ia até a calçada, atraia os velhos judeus aposentados e comerciantes, que para lá iam para tradicional jogo de “pauzinho” e suas intermináveis conversas. Como diziam alguns comerciantes, era a sala de reuniões, onde muitos negócios eram fechados.

Phys. Desc:

FOTOGRAFIA P/B - 28X39cm

LOCALIZAÇÃO: CEMIP - PAREDE - AIS0285

ID:
AIS0285
Repository:
Centro de Memória e Informação Pessoal Yuri Victorino
Found in:
Creators:
Subjects:
Contributor:
YURI VICTORINO INÁCIO DA SILVA


Page Generated in: 0.164 seconds (using 225 queries).
Using 5.35MB of memory. (Peak of 5.56MB.)

Powered by Archon Version 3.21 rev-1
Copyright ©2012 The UIUC